Decisão de investir em terminal de GNL destrava gasoduto estratégico e reposiciona o Canadá no mercado global de energia

Diego Velázquez
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O investimento em um terminal de GNL que destrava um gasoduto estratégico e reposiciona o Canadá no mercado global de energia ganha leitura técnica de Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que a decisão final de investimento para a construção da primeira grande instalação de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do Canadá representou, à época, um divisor de águas para o setor energético do país. O anúncio confirmou que o projeto da GNL Canada, localizado em Kitimat, na província da Colúmbia Britânica, seguiria adiante, acelerando de forma direta as obras de um dos maiores gasodutos já planejados em território canadense.

O empreendimento nasceu de uma joint venture formada por grandes grupos globais de energia, entre eles Shell, PETRONAS, PetroChina, Mitsubishi Corporation e KOGAS. Cada participante assumiu a responsabilidade pelo fornecimento do seu próprio gás natural e pela comercialização individual de sua parcela da produção, um modelo que buscou diluir riscos e dar maior flexibilidade comercial ao projeto.

GNL, gasodutos e a lógica da infraestrutura integrada

A decisão positiva de investimento não impactou apenas a planta de liquefação em Kitimat. Ela funcionou como um gatilho para a viabilização do gasoduto de longa distância que corta o país, conectando as áreas produtoras de gás natural à costa do Pacífico. Esse tipo de integração entre produção, transporte e exportação é considerado essencial para projetos de GNL de grande escala, já que o gasoduto se torna a espinha dorsal de todo o sistema.

Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, o projeto foi concebido com forte ênfase em eficiência ambiental. A planta foi desenhada para operar com uma das menores intensidades de carbono entre instalações de GNL de grande porte no mundo, combinando o uso de energia hidrelétrica renovável com turbinas a gás de alto rendimento. Esse aspecto foi frequentemente citado como um diferencial competitivo do Canadá em um mercado global cada vez mais sensível às questões climáticas.

Demanda global e estratégia de longo prazo

As projeções indicavam que a demanda mundial por GNL poderia dobrar até meados da década de 2030, impulsionada sobretudo por países que buscavam substituir fontes de energia mais intensivas em carbono, como o carvão. Nesse contexto, Paulo Roberto Gomes Fernandes destacou que a planta de Kitimat foi pensada para atender mercados asiáticos estratégicos, aproveitando a posição geográfica favorável da costa oeste canadense para reduzir distâncias e custos logísticos.

Ao apostar em um terminal de GNL para viabilizar um gasoduto chave, o Canadá redefine sua presença no mercado energético internacional, como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes.
Ao apostar em um terminal de GNL para viabilizar um gasoduto chave, o Canadá redefine sua presença no mercado energético internacional, como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Executivos envolvidos no projeto destacaram que o avanço da GNL Canada também simbolizava a capacidade do país de desenvolver grandes obras energéticas em parceria com comunidades locais e povos originários, integrando interesses econômicos, ambientais e sociais em um mesmo empreendimento.

Impactos econômicos e visão institucional

A decisão de investimento foi amplamente interpretada como um voto de confiança na economia canadense e em sua capacidade de atrair capital privado de longo prazo. Representantes do setor de dutos ressaltaram que projetos dessa magnitude fortalecem toda a cadeia energética, gerando empregos, estimulando fornecedores e consolidando o Canadá como um exportador relevante de energia produzida sob padrões rigorosos de segurança e sustentabilidade.

Paulo Roberto Gomes Fernandes relembra também que o avanço do gasoduto associado ao projeto reforçou o papel estratégico da infraestrutura de transporte no equilíbrio energético global. Sem dutos confiáveis e de grande capacidade, iniciativas de exportação de GNL simplesmente não se sustentam.

Reposicionamento do Canadá no cenário internacional

Com a decisão de seguir adiante com a instalação de Kitimat e com o gasoduto que a alimenta, o Canadá passou a ocupar um novo espaço no mapa mundial do GNL. O país deixou de ser apenas um grande produtor de gás natural para se afirmar também como um potencial exportador de escala global, capaz de competir com outros grandes players e atender mercados que buscam segurança energética aliada a padrões ambientais mais elevados.

Paulo Roberto Gomes Fernandes nota que esse movimento consolidou uma estratégia de longo prazo baseada em infraestrutura robusta, diversificação de mercados e integração entre produção, transporte e exportação, elementos que continuam a moldar o futuro do setor energético canadense.

Autor: Lolita Kharlamova

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