Levantamento da Pro-Música Brasil reúne dados de streaming e mostra que 48 das 50 faixas mais ouvidas no país são de artistas brasileiros.
A Pro-Música Brasil divulgou, no início de julho, o ranking das cinquenta músicas mais reproduzidas no país durante o primeiro semestre de 2026. O levantamento consolida dados do Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster, oferecendo um retrato amplo do consumo musical brasileiro nos últimos seis meses. Segundo a apuração, publicada pela Rolling Stone Brasil, o sertanejo recuperou a liderança da lista, posição que havia perdido para o pagode em levantamentos anteriores. A faixa “Eu Te Seguro (Ao Vivo)”, de Panda e MJ Records, aparece em primeiro lugar, seguida por “Jetski”, de Pedro Sampaio, MC Meno K e Melody. O dado que mais chama atenção, porém, é o domínio quase total da produção nacional dentro do ranking.
O que revela o levantamento da Pro-Música Brasil
Das cinquenta faixas presentes na lista, 48 são de artistas brasileiros, o equivalente a 96% do total. Apenas duas produções internacionais conseguiram espaço entre as mais ouvidas: “Swim”, do grupo sul-coreano BTS, na 23ª posição, e “The Fate Of Ophelia”, de Taylor Swift, na 41ª colocação. O resultado reforça um movimento que já vinha sendo observado nos últimos anos, o de que o público brasileiro consome, majoritariamente, música produzida dentro do próprio país, mesmo em plataformas de alcance global como Spotify e YouTube.
A metodologia da Pro-Música Brasil considera o volume de reproduções em todas as plataformas de streaming em operação no mercado nacional, o que confere ao ranking um caráter mais representativo do que listas isoladas por serviço. Entre as faixas que aparecem na parte final da lista estão “12 Horas / Pra Você Acreditar (Ao Vivo)”, de Panda, Humberto & Ronaldo e Ícaro & Gilmar, e “Cadeira Cativa (Ao Vivo)”, de Zé Neto & Cristiano, ambas reforçando a presença maciça de gravações ao vivo entre os hábitos de escuta do público brasileiro.
Sertanejo retoma a liderança e o que isso significa para o mercado
A volta do sertanejo ao topo do ranking marca uma inversão em relação a apurações recentes, nas quais o pagode vinha ocupando posições de destaque. Nomes como Lauana Prado, Simone Mendes, Henrique & Juliano e Matheus & Kauan aparecem entre as faixas mais executadas, quase sempre em versões ao vivo, um formato que se consolidou como preferência do público nos últimos anos. Essa predominância de registros ao vivo indica que boa parte do consumo de sertanejo hoje está associada à experiência de shows e à cultura de festas e eventos regionais, e não apenas a lançamentos de estúdio.
O fenômeno também aponta para uma característica do mercado fonográfico brasileiro, o forte peso das gravadoras e produtoras independentes ligadas ao sertanejo universitário, que costumam lançar faixas diretamente em formato de vídeo ao vivo, já pensando na circulação em shows e em plataformas de vídeo. Essa estratégia de distribuição ajuda a explicar por que tantas faixas do gênero conseguem se manter entre as mais ouvidas por períodos prolongados, mesmo sem o mesmo aparato de divulgação internacional que artistas globais costumam ter.
O espaço reservado à música internacional
A presença de apenas duas faixas internacionais no ranking, uma do BTS e outra de Taylor Swift, ilustra o quanto o consumo brasileiro de música segue voltado para dentro. Ainda assim, o dado ganha um contraste interessante quando observado ao lado da agenda de shows internacionais no país em 2026, que inclui apresentações de BTS, Rosalía, Harry Styles e outros nomes de grande porte. Isso sugere que o interesse por artistas estrangeiros no Brasil se manifesta com mais força na experiência ao vivo do que no consumo cotidiano via streaming.
Esse descompasso entre o que o público brasileiro assiste em shows e o que efetivamente ouve no dia a dia é um ponto que analistas do setor têm acompanhado de perto, já que pode influenciar decisões de gravadoras e produtoras sobre onde investir em divulgação e turnês nos próximos anos.
O levantamento da Pro-Música Brasil deve servir de referência para o setor ao longo do segundo semestre, especialmente porque reforça a força da produção nacional diante da concorrência global. Para o público, o ranking funciona também como um retrato de hábito de consumo, mostrando que shows ao vivo e faixas gravadas nesse formato seguem no centro das preferências musicais do brasileiro em 2026.
Fontes: Rolling Stone Brasil, Mais Tocadas