A hiperautomação deixou de ser um conceito restrito a grandes corporações de tecnologia e passou a orientar decisões de áreas de operações, TI e atendimento em empresas de diversos portes. Como diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi retrata que o termo descreve a combinação de Automação Robótica de Processos (RPA), Inteligência Artificial (IA) e Gestão de Processos de Negócio (BPM) para eliminar tarefas repetitivas e acelerar fluxos de trabalho inteiros, não apenas etapas isoladas.
O principal diferencial desta combinação está na capacidade de conectar decisão e execução dentro do mesmo processo, sem depender de intervenções manuais constantes. Interessado em saber como? Nos próximos parágrafos, abordaremos como o RPA, a IA e o BPM se articulam na hiperautomação e o que essa integração muda na rotina das empresas.
O que é a hiperautomação, afinal?
A hiperautomação é o resultado da integração entre três camadas complementares, como pontua Rolando Bonaccorsi, líder em IA e ciência de dados aplicadas a negócios e operações. O RPA executa tarefas repetitivas e baseadas em regras, como preenchimento de formulários e extração de dados. A IA adiciona capacidade de interpretação, reconhecendo padrões, textos e imagens que fogem de regras fixas. Já o BPM organiza o fluxo completo, definindo em que ordem e sob quais condições cada etapa deve acontecer.
Essa camada de orquestração é o que separa a automação tradicional da hiperautomação. Uma vez que, sem o BPM, cada robô ou modelo de IA funciona isoladamente, resolvendo um problema pontual sem enxergar o processo como um todo. A hiperautomação existe justamente para conectar essas peças e transformar tarefas isoladas em um fluxo contínuo.
Como RPA, IA e BPM se complementam, na prática?
De acordo com Rolando Bonaccorsi, essa combinação altera a forma como decisões são tomadas dentro de um processo. Um robô de RPA pode extrair dados de uma nota fiscal, um modelo de IA pode validar se essas informações são consistentes, e o BPM decide o próximo passo com base nesse resultado, encaminhando o caso para aprovação automática ou para análise humana. Essa divisão de responsabilidades reduz gargalos que antes dependiam inteiramente de pessoas. Entre os ganhos mais citados nesse tipo de operação estão:
- Redução do tempo de execução de processos com múltiplas etapas manuais;
- Menor taxa de erro em tarefas de conferência e validação de dados;
- Maior capacidade de lidar com exceções sem interromper o fluxo inteiro;
- Melhor rastreabilidade de cada etapa, já que o BPM registra o histórico completo.
Esses ganhos só se sustentam quando as três tecnologias são implementadas de forma coordenada. Assim sendo, automatizar processos com RPA isolado tende a gerar resultados limitados, porque falta a camada de decisão que a IA e o BPM oferecem quando combinadas.
Quais processos ganham mais com essa combinação?
Processos com grande volume de transações e regras que mudam com frequência geralmente se beneficiam mais da hiperautomação. É o caso de áreas como faturamento, atendimento ao cliente e conciliação financeira, onde pequenas exceções aparecem o tempo todo e exigem uma camada de julgamento que a automação tradicional não oferece sozinha.
Processos puramente sequenciais, sem variações relevantes, nem sempre justificam o investimento em uma arquitetura completa de hiperautomação. Nesses casos, um RPA bem configurado já resolve grande parte da demanda. Portanto, a decisão sobre onde aplicar cada camada tecnológica depende do nível de variabilidade e complexidade envolvido no processo analisado, conforme ressalta Rolando Bonaccorsi.
Os riscos de aplicar hiperautomação sem planejamento
A combinação de RPA, IA e BPM exige mapeamento cuidadoso antes da implementação. Como enfatiza o diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, automatizar um processo mal desenhado apenas acelera os problemas existentes, em vez de resolvê-los. Desse modo, empresas que pulam a etapa de análise do fluxo original enfrentam retrabalho com frequência, já que a arquitetura precisa ser ajustada depois que falhas de origem se tornam visíveis em maior escala.
Inclusive, o erro mais recorrente nesse tipo de projeto é tratar a hiperautomação como um pacote de ferramentas prontas, sem revisar a lógica do processo por trás delas. O resultado tende a ser um sistema mais rápido, mas igualmente ineficiente, porque os mesmos gargalos continuam presentes.
A integração como um diferencial competitivo na automação
Em última análise, a hiperautomação representa uma mudança na forma como as empresas pensam automação: não mais como uma soma de ferramentas isoladas, mas como uma arquitetura integrada de execução e decisão. Assim, ao unir o RPA, a IA e o BPM, é possível repensar processos inteiros, e não apenas etapas pontuais, o que muda o padrão de eficiência que as organizações conseguem alcançar.
Todavia, antes de iniciar um projeto dessa natureza, é importante mapear onde a variabilidade dos processos realmente justifica essa combinação tecnológica. Até porque o valor da hiperautomação está menos na tecnologia em si e mais na forma como ela é orquestrada dentro da operação, algo que precisa ser projetado antes de ser automatizado.